Filhos de Alguém. |
um lugar para o amor. |

(eu e o artista, meu irmão, Victor Mattina)
fotos por: IHATEFLASH.NET
O pintor Victor Mattina inaugura sua primeira exposição individual, “Dublê” na Pequena Galeria, no centro do Rio de Janeiro. “Utilizando a própria pintura como um meio de atenuar a potência comunicativa das imagens, Mattina cria obras cujos significados se apresentam de maneira sutil e, por vezes, inócua para que em seguida se revelem aterradoramente reais e inexplicáveis. Através da captura de imagens aparentemente banais advindas da internet, televisão, jornais, revistas e cinema, o artista, que vive e trabalha no Rio de Janeiro expõe nesta mostra, obras cujo foco varia do mimetismo acidental de uma platéia de um programa de televisão, da ressignificação de objetos triviais a partir da renomeação sistemática até a morte falsa no cinema versus o uso de chamarizes bélicos reais


”:)” óleo sobre tela
Minha opinião de forma alguma seria imparcial. Sendo o expositor o meu irmão mais velho e uma pessoa pela qual tenho grande admiração. Ao meu ver, suas obras são de uma genialidade infinita, acompanhei o processo de criação da maiora dos trabalhos expostos e opinei no desenvolvimento conceitual de algumas obras. Logo, me sinto parte da exposição, sendo assim fiquei muito orgulhoso com o produto final e mais orgulhoso ainda por ter advindo de uma pessoa pela qual tenho tanto amor.
“mímesis” óleo sobre tela
A Pequena Galeria do Centro Cultural Candido Mendes – centro - Apresenta Victor Matina, em sua primeira individual intitulada ‘Dublê’ de 16/11 a 03/12.
ATENÇÃO: A GALERIA FICA ABERTAS DE SEGUNDA A SEXTA, DE 12:00 ATÉ 19:00.
Por Juliano Castro 12/11
Lugares, Estranhos e Quietos
Fotos: Wim Wenders

Win Wenders é um cineasta e fotógrafo apaixonado por espaços, cenários e paisagens. Conhecido por seus filmes instigantes sobre “dimensões e espaços existenciais, com personagens absorvidos por paisagens inóspitas ou desconjuntadas”, como exemplo os filmes Tão Longe, Tão Perto (1993) ou Paris, Texas (1984). Temos agora a oportunidade de prestigiar o trabalho fotográfico do cineasta, presente na exposição Lugares, Estranhos e Quietos, em cartaz no Masp até 09/01/11, como parte integrante da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Nos filmes de Wenders, os espaços servem de aproximação do espectador ao enredo, ou segundo o próprio artista: “lugares que dão emoção e ação ao contexto”. Portanto, contrário do que ocorre em suas fotografias, onde o ser humano desaparece, e surgem apenas rastros vagos da humanidade, junto a cenários melancólicos, que nos dão uma sensação de nostalgia intrigante.
Na justificativa do artista, na entrada da exposição, Wenders declara que é viciado em paisagens, que viaja o mundo em busca de inusitadas e impressivas locações, sempre virando-se para o lado esquerdo, quando todos querem olhar para o lado direito, onde ele acredita que as coisas mais interessantes parecem existir. E são essas paisagens desertas, abandonadas, vazias, e ainda assim interessantes, que estão em cartaz na exposição em destaque.

As imagens expostas no Masp são enormes, o que nos proporciona uma sensação de quietude e vazio propostas pelo caráter das obras. Algumas foram capturadas no Brasil, como a foto acima do sistema de ventilação de um arranha-céu em São Paulo, e também a fotografia abaixo realizada em Salvador, que apresenta uma beleza singela e natural.

A exposição apresenta uma gama de fotografias que nos proporcionam estar numa atmosfera de espaços estranhos e quietos, nos dando uma sensação de estranhamento que rompe com a quietude desses ambiente. Uma exposição que vale a pena simplesmente pela poeticidade dessas paisagens reais, sem retoques, que aguçam nossa vontade de desbravar o mundo, de ir em busca do desconhecido.
Finalizando, outra obra que merece destaque é a fotografia da cratera de um meteorito, que dá nome a fotografia, e é descrita abaixo pelo próprio artista, texto retirado de seu site oficial.

Meteorite Crater, West-Australia
I discovered this place on a map of Western Australia, years ago.
It was just marked with a circular sign saying
“Meteorite Crater”.
I never made it there by car.
It would have taken a day or two
to reach it on the desert road
that leads past it, west of Alice Springs.
On a location survey with a small airplane, years later,
I asked the pilot to fly the detour.
He circled the enormous crater,
then landed on the dust strip next to it.
In the midday heat, I walked for an hour
into the middle of the giant circle.
I didn’t take a picture there.
Seen from inside, the crater was invisible.
Wim Wenders
Serviço – “Lugares, estranhos e quietos” de Wim Wenders.
MASP (Av. Paulista, 1578). De 21 de outubro a 09 de janeiro de 2011. (11) 3251-5644. Terças, quartas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h; quintas, das 11h às 20h. A bilheteria fecha uma hora antes. Ingressos: R$ 15 (grátis nas terças).

Yera Dahora (29/outubro)
Tékhne
O titulo da exposição faz uma referência à palavra arte para os gregos antigos, denominada tékhne. A exposição é constituida por diversas instalações, e outros trabalhos, sempre tratando da mistura entre técnologia, ciência e arte.
A exposição é divertida, pode ser dividida entre os trabalhos em que há a possibilidade de interatividade, os trabalhos estáticos, e os vídeos. Os trabalhos estáticos me pareceram vazios, não me dizem nada. Os interativos ode até ser vazios, mas a interação é algo a mais, é algo que as fazem menos vazias, já que o espectador da obra tem a possibilidade de construi-la, ou seja, a obra depende do espectador para que ela exista, fazendo com que o espectador faça parte da obra.
Outra importante característica das obras (especificamente as instalações) é a relação entre elas e o espaço. As obras não são obras em si (como um quadro por exemplo), elas precisam de uma disposição específica do espaço para existirem. São portanto obras pouco “autônomas”, precisam do espectador e do espaço para existirem com plenitude.
Um dos trabalhos mais legais é o da artista Amélia Toledo. Quando vi pela primeira vez não entendi, era um colchão gigante aonde eram projetadas imagens, em cima do colchão tinham lençóis jogados e um espelho suspenso a dois metros do colchão. Depois de ver toda a exposição, descobri que o trabalho de Amélia era interativo, ou seja, o espectador deveria deitar-se sobre o colchão, e colocar o lençol sobre seu corpo, e então assistir-se sob projeções no reflexo do espelho. O efeito é muito legal, dá vontade de ficar deitado lá pra sempre, claro, a escolha das projeções são essenciais para o efeito do trabalho.

Gostaria que meus colegas fossem ver a exposição se puderem, afinal, é logo aqui e é “de grátis”.
De: 14/09 a 14/11
Horário: de terça a sexta-feira, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h
Local: Museu de Arte Brasileira (MAB–FAAP)
Endereço: Rua Alagoas, 903 Higienópolis
Informações: (11) 3662.7198
Agendamento de visitas educativas: (11) 3662.7200
ENTRADA FRANCA
http://www.faap.br/hotsites/memorias_reveladas_tekhne/tekhne.asp
http://ameliatoledo.com/

Danielle Nakano - 49923217
Denise Mattar, conta histórias do ensino da Faap com referências nas artes visuais brasileiras, a exposição contém uma cascata virtual, estilo matrix, que possui nomes de diferentes professores, diretores, ex-alunos da Fundação.
Na locação a exposição é dividida em partes, contando a trajetória da Faap no campo das artes visuais e é mostrada através de projeções de imagens em uma parede de 12 metros.
Eu gostei muito da exposição, pois mostra tudo o que aconteceu desde 1947 . O que mais me chamou atenção foi a obra que mostra Armando Alvares, e a obra da Condessa Annie Penteado.
Condessa Annie Penteado - Jean Denis Maillart
De: 14/09 a 12/12
Horário: de terça a sexta-feira, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h
Local: Museu de Arte Brasileira (MAB–FAAP)
Endereço: Rua Alagoas, 903 Higienópolis
Informações: (11) 3662.7198
Agendamento de visitas educativas: (11) 3662.7200
ENTRADA FRANCA
Com um tema bastante polêmico, a 29ª bienal de São Paulo, parece tímida e pouco impactante.
A 29ª Bienal de Artes de São Paulo saiu de uma profunda crise, eternizada pela “Bienal do Vazio” e as cenas de vandalismo (ou seria arte?), na edição de 2008, para voltar consolidando o posto de um dos eventos mais importantes da arte contemporânea. Com mais dinheiro em caixa, o prestígio reconquistado e com organização mais focada artisticamente, a edição deste ano pecou pela falta de ousadia, pelo medo de transgredir e abusar do tema “arte e política”, que é a proposta para esta edição.
Salvo poucos artistas, ainda me pergunto porque alguns foram convidados para lá exporem. Não só por fugirem totalmente do tema proposto, mas por suas obras não terem impacto algum, e não causarem nada em seu espectador. Simplesmente estavam lá, sem nada a acrescentar. Acredito que a arte seja subjetiva, mas daí concluir que não importa o que você faça, basta chamar de arte, já é demais.
Quem não fugiu da proposta e fez uma das obras mais belas e significativas da Bienal foi o recifense Gil Vicente. Em “Inimigos” ele expressou em desenhos feitos com carvão o desprezo que tem por autoridades religiosas e políticas, que poderiam, mas não representam a sociedade, vivendo alheios à realidade contemporânea. Lula, George W. Bush, Elizabeth II, Armadinejad, Papa Bento XVI, dentre outros, estão ali, retratados em desenhos realistas, pouco antes de serem assassinados pelo artista, em cenas descritas pela OAB de São Paulo como “apologias ao crime por incitarem atentados terroristas”, mas que na verdade representam o que o povo sente em relação a essas autoridades, um sentimento de esgotamento por esses que dizem nos representar. E que diga o contrário quem não sentiu o mesmo no momento em que viu a imagem de Bush indefeso, ao chão, prestes a ser assassinado por Gil Vicente, com um olhar de culpa e arrependimento. Isso sim é arte transgressora. Chocar para expressar os anseios de uma sociedade, de um tempo.
Muitos entendem e defendem que a pixação seja considerada arte transgressora. E após o ato de vandalismo na Bienal passada a edição deste ano deu voz e espaço a essa “arte” que polui, destrói e que é nada além de contraventora. Para tentar dissolver a contenda entre os “artistas/pixadores” e o evento, foi compilada uma coleção de fotos e vídeos documentando esses atos de “expressões gráficas” como meio de “ação política”. O que não impediu que mais uma vez ocorresse outro ato de vandalismo, desta vez contra algumas das obras em exposição. Vimos mais uma vez que essa arte que dizem ser transgressora não passa de contravenção praticada por jovens insolentes.
Um dos espaços que mais me chamaram a atenção foi a instalação do americano Jimmie Durham intitulada “International Center for Research of Normal Phenomena”. Nela o artista fez uma pequena análise do que encontrou na cidade de São Paulo, e utilizando uma grande compilação de citações, textos, fotos e objetos que reunidos mostram uma cidade com inúmeros prédios residenciais de nomes pomposos e arquitetura neoclássica, numa tentativa inútil [e fútil] de remeter ao mundo do requinte europeu, e shoppings chiques, cheios de lojas de grife, à beira de rios poluídos, para encenar um conto de fadas moderno. E para completar, um boneco representando o Bandeirante do século 21, um típico senhor engravatado, rico, e pronto, quem sabe, para desbravar o mercado financeiro, ou caçar uma vaga na política.
Uma coisa que não pode deixar de ser comentada é como a Bienal está se tornando um evento restritivo, castrante e constrangedor. A começar pela recepção. Agora o visitante é recebido com revista seguida por um detector de metais. E como se não bastasse o “momento batida policial”, um batalhão de seguranças segue quem eles julgam “suspeitos” (no caso, um jovem com mochila nas costas). Você querendo apreciar a obra, analisar e discutir com seus amigos, enquanto um segurança à espreita segue seus passos é tudo, menos agradável. O engraçado é que toda essa hostilidade não impediu novas cenas de vandalismo. Vai entender…
Por Rafael Cerdeira
Serviço
Parque Ibirapuera. Segunda a Quarta das 9 às 19h. Quinta e Sexta das 9 as 22h. Sábado e Domingo das 9 às 19h — Entrada Gratuita
Até 12/12/2010
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Arroz e feijão · 1979 / 2007 · instalação · mesa de fórmica; 20 cadeiras pretas; pratos; copos; talheres; terra; sementes de arroz e feijão; prateleiras e vídeo em TV · mesa 540 × 120 cm; dimensões totais variáveis · coleção: artista
350 Points towards Infinity [350 pontos rumo ao infinito] · 2009 · instalação · fios de prumo; ímãs · 485 × 950 × 950 cm · cortesia: Galerie Johann Koenig, Berlim; Galerie Emmanuel Perrotin, Paris; Almine Rech Gallery, Bruxelas
Auto-retrato matando George Bush · 2005 · da série: Inimigos · desenho · carvão sobre papel · 150 × 200 cm · coleção: artista
Beggars [Pedintes] · 2010 · videoinstalação · HD, 7 canais, sem som · cortesia: artista; Thomas Dane Gallery, Londres
A origem do terceiro mundo · 2010 · instalação site-specific · madeira; PVC; outros · dimensões variáveis · foto: artista · comissionado por: Fundação Bienal de São Paulo
A exposição traz o melhor da pintura alemã pós-Muro de Berlim, com 83 obras de 26 alemães que nasceram e cresceram sob as mudanças de uma Alemanha dividida.
Na América Latina, esta é a primeira mostra cultural que conseguiu reunir obras de artistas como; Franz Ackermann, Werner Büttner, André Butzer, Tatjana Doll, Tim Eitel, Katharina Grosse, Eberhard Havekost, entre outros. A apresentação é do curador Teixeira Coelho
Lá podemos encontrar desde os traços violentos e expressionistas de Jonathan Meese, passando pela abstração geométrica de Thomas Scheibitz e pela inflexão política de Werner Tübke, até uma figuração ,cujos óleos discutem a relação entre telas e fotografias e estimulam as noções de realismo do espectador.
Quadros me chamaram a atenção por serem tão criativos e diferentes na maneira em que as cores fortes foram exploradas. Algumas obras lembram até uma estética parecida com arte de rua, sem contar que os estilos são representados do abstrato ao figurativo, e também pelo classicismo revisitado e altamente elaborado.
O espaço da exposição também é bem interessante visualmente por ser organizada por núcleos e estilos.
Vale a pena conferir !
Informações :
Local : Museu de Arte de São Paulo (Masp)
Endereço : Avenida Paulista, 1578, Cerqueira César
Horários: De terça a domingos e feriados, das 11h às 18h.
Às quintas-feiras: das 11h às 20h.
Ingresso: R$ 15,00. Estudante: R$ 7,00. Crianças até 10 anos e adultos acima de 60 não pagam.
Data : de 19/09 a 9/01/2011
Feito por
Giovanna Vecchi
Turma : Rádio e Tv
40916083
Guilhermo Sartori
Coleção Pirelli/Masp de Fotografia -18ª Edição

Sem título, 1966-1980
Cibachrome
27,3 x 39,0 cm (27,8 x 43,6 cm)
Criada em 1990, a coleção Pirelli/Masp objetiva criar um panorama da produção fotográfica no Brasil. As fotos que vão para a mostra são selecionadas por um conselho independente de nomes importantes da fotografia brasileira, como nosso diretor Rubens Fernandes e Thomaz Farkas, que teve seu trabalho estudado na Semana de Comunicação desse ano.
Na sua décima oitava edição, a coleção traz setenta obras de vinte fotógrafos diferentes-entre eles Guy Veloso, selecionado para a 29ª Bienal de São Paulo- e presta homenagem a dois fotógrafos Luiz Sadaki Hossaka,que fazia parte da comissão que seleciona as fotos até o seu falecimento em 2009 e George Leary Love, fotógrafo americano que se mudou para São Paulo em 1966 e contribuiu para o desenvolvimento da fotografia de expressão pessoal nas décadas de 70 e 80.
Juntando nomes consagrados e novos talentos, além diferentes tipos de fotografia como a fotojornalística e a de estúdio, a mostra não se prende a um tema ou estilo e consegue criar o pretendido panorama da fotografia contemporânea no Brasil.

A Coleção serve como introdução ao trabalho de diversos artistas, como o já citado Guy Veloso e o coletivo Cia da Foto, e também para mostrar que a fotografia artística não precisa seguir um único caminho.
Coleção Pirelli/MASP de Fotografia – 18ª Edição
Em exposição:
Links:
http://www.colecaopirellimasp.art.br
De 12 de agosto a 3 de outubro de 2010
Local:
Galeria Horácio Lafer, 1º andar do MASP
Coordenação:
Anna Carboncini
Apoio:
Pirelli
Produção e Montagem:
Equipe do MASP
por Amina

O Inhotim é atualmente o maior museu de arte contemporânea da América Latina e está situado em Brumadinho, pequeno município da região metropolitana de Belo Horizonte. Nele há um acervo permanente e também exposições temporárias. Mais informações pelo site: http://www.inhotim.org.br/.
O Museu é divido em galerias, a maioria delas nomeada pelo autor das obras expostas. Tais galerias são distribuidas ao longo de um enorme jardim botânico planejado por Burle Marx, quando aquela área ainda era mais uma fazenda da região. Algumas considerações são importantes aqui, pois para minha surpresa o jardim botânico acabou tornando-se a principal atração nos poucos anos de existência do museu e as galerias de arte parecem ser só uma atração secundária e até desinteressante para a maioria dos visitantes!
Também foi interessante notar o papel dos próprios moradores de Brumadinho, uma cidade tão pobre, que trabalham no grande Inhotim. Os mineiros interessados em política sabem que o Inhotim recebe dinheiro público e como contra-partida social seus administradores alegam que o projeto traz riqueza e educação artística para a região. Riqueza até entendo, pois os funcionários encarregados de nos dizer que não podemos tocar nas obras, nem fotografá-las e mal mal respirar em cima delas são de fato todos de Brumadinho. Mas nenhum deles tem a mínina qualificação e nem parecem interessados nisso. A função de “guia” fica reservada aos estudantes de artes plásticas de Belo Horizonte, que viajam diariamente ao museu para trabalhar.
Essa discrepância do papel dos moradores como funcionários do Inhotim ficou ainda mais clara para mim quando entrei em uma pequena galeria toda branca onde a obra era exatamente a própria arquitetura da casa e uma funcionária entrou comigo, claramente para me figiar para que eu não fotografasse. Mas o pior mesmo foi ela entrar conversando trivialidades pelo rádio com uma amiga que também trabalhava lá e ainda largar sua mochila e uma sacola da Natura em cima de um banco. Ou seja, ela não entendia que o próprio silêncio era necessário para a obra e que o banco fazia parte da obra!
Ainda é interessante pensar no papel do dono do local. Sim, apesar de ter subsídio fiscal o Inhotim é um patrimônio particular de um rico empresário de BH conhecido por sua sociedade com Marcos Valério e por seu envolvimento no esquema do Mensalão. Fofocas políticas à parte, não dá pra ignorar que palmeiras imperiais morrem e que artísticas plásticos são subornáveis. Não seria, então, um jardim botânico e um museu com obras de artistas vivos um esquema de lavagem de dinheiro perfeito? Impossível não levantar essa suspeita ao visitar o Inhotim, ainda mais sabendo que o tal empresário mora lá na fazenda do museu.
Pelo menos lavar dinheiro com arte e um belo jardim que podemos visitar e não de tantas outras formas bizarras? É, um pensamento comum e compreensível. E de se concordar quando conhecemos a Galeria de Cildo Meireles com sua instalação Desvio para o Vermelho, ou ainda quando ouvimos a maravilhosa sinfonia de Forty Pat Motet, da instalação da artista Janet Cardiff.
A instalação de Cardiff é formada por uma série de caixas de som que ficam da altura de nossos ouvidos e tocam uma composição medieval. A maravilha da obra está em um elemento simples: ao gravar um coral cantando a composição, a autora gravou cada voz separadamente. Da mesma forma a música é reproduzida, cada caixa de som toca a voz de um cantor específico. O visitante, então, caminha entre as vozes agudas e graves e de repente se surpreende com uma linda voz infantil! Bem, muito polêmico dizer isso, mas essa obra talvez valha o desvio de dinheiro (se é que existe)!


Artur Renzo (10/09)
Vik Muniz – Verso
“A exposição reúne sete objetos tridimensionais de diversos tamanhos feitos de madeira e mídias variadas, que reproduzem fielmente o verso de obras célebres como Les Mademoiselles d’Avignon de Picasso e La Grande Jatte de Seurat que durante o período de seis anos o artista fotografou e estudou em parceria com a equipe curatorial e de conservação de instituições como o MOMA, Guggenheim e o Art Institute of Chicago e um time especializado de artesãos, artistas e especialistas em cópias de pinturas.”
Esses objetos foram criados por especialistas em cópia, restauração e conservação, e, de fato, são idênticos ao verso de tais obras. Cada especialista foi responsavel pela execução de um detalhe específico:molduras, arranhões, manchas, etiquetas e etc., tudo produzido à perfeição. Eles constituem toda a história expositiva dessas obras-primas, além de revelarem um elemento processual no mundo dos museus. Para Fabio Cypriano, com isso, o artista revela o caráter fetichista da arte: “de tão conhecidas, as obras nem precisam de exibição.”
Fabio Cypriano:
Quanto a isso, não sei se é a melhor forma de abordar o assunto. Mas a minha sensação é de que, faz pouco sentido vir a essa exposição sem conhecer esses detalhes contextuais-conceptuais das obras. Mas mais do que isto tenho a impressão de que uma vez apreendido este “conceito” (e isto, neste caso pode ser feito sem contato algum com as obras) , as obras em si tem muito pouco a oferecer ao espectador. Talvez só a curiosidade de saber como o verso de “O Abapuru”, ou do “L’atelier Rouge” se parece. E talvez seja mesmo essa a intenção. Algo como tornar inútil o espaço de exibição, não sei. Mas fica claro que o efeito produzido é quase nulo. “Quase”, porque conto com a excessão de pessoas como Fabio Cypriano. Acho que tudo fica mais claro se o compararmos com Orson Welles em “F for Fake” que aborda o mesmo tema de uma forma bem diferente, o que acaba fazendo toda a diferença. É como Borges fala em “O Aleph”:
“Compreendi que o trabalho do poeta não estava na poesia; estava na invencao de razoes para que a poesia fosse admirável; naturalmente, esse trabalho ulterior modificava a obra para ele, não para os demais. A dicção oral de Daneri era extravagante; sua inabilidade métrica o impediu, salvo poucas vezes, de transmitir essa extravagancia ao poema.”




A exposição fica abert só até amanhã (11/9)
Galeria Fortes Vilaça
Rua Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena - São Paulo
(11)3032-7066
Curadoria de Miguel Rio Branco
MIS – Museu da Imagem e do Som
Av.Europa, 158 - Jd. Europa
(11) 2117 - 4777
De 01.09 a 31.10
Terça a sábado, das 12h às 19h
Domingos e feriados, das 11h às 18h
Miguel Rio Branco é um artista espanhol com pai brasileiro. Além de fotografar, ele pinta, é diretor de cinema e trabalha com algumas experiências com multimídia. A partir deste currículo percebe-se a variação de tipos em sua exposição.
A exposição traz mais de 40 fotografias, 3 vídeos e a “instalação Ofélia” que mistura objetos do ferro velho, neon e fotografia. As fotos foram tiradas entre 1970 e 2010 em Tóquio, Nova York, Bahia, Lima e Cuba.
O intuito de Maldicidade é abordar a vida dos moradores das grandes metrópoles. Seu foco são mendigos, prostitutas, vira-latas e pessoas de baixa classe social. Através de fotos com cores vibrantes, e com montagens e recortes paralelos, a obra de Miguel cria uma harmonia entre a situação (depressiva) e a cor (alegria) que representa os maus da cidade (maldicidade) que ninguém repara no cotidiano. Como cita no panfleto, o lado “trash” da cidade.
Os 3 vídeos (Túnel, Caveirinhas e Peep Show) ilustram ainda mais cenas comuns em qualquer metrópole mundial como dança de strip, uma passagem por um longo túnel e pessoas conversando.
A exposição comemora os 40 anos do MIS e participa das atividades do São Paulo Polo de Arte Contemporânea da 29ª Bienal de São Paulo com tema principal: arte e política.


Instalação Ofélia

cores fortes e uma montagem que criam uma profundidade a foto.
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Recortes e montagens construindo cenário urbano

chicletes no asfalto

Celacircus

feirantes e vira-latas

vídeo Túnel
TRICIA HEY GOMES - RTV
40921176