Filhos de Alguém.

um lugar para o amor.
  • Text Inhotim

    por Amina 

    O Inhotim é atualmente o maior museu de arte contemporânea da América Latina e está situado em Brumadinho, pequeno município da região metropolitana de Belo Horizonte. Nele há um acervo permanente e também exposições temporárias. Mais informações pelo site: http://www.inhotim.org.br/. 

    O Museu é divido em galerias, a maioria delas nomeada pelo autor das obras expostas. Tais galerias são distribuidas ao longo de um enorme jardim botânico planejado por Burle Marx, quando aquela área ainda era mais uma fazenda da região. Algumas considerações são importantes aqui, pois para minha surpresa o jardim botânico acabou tornando-se a principal atração nos poucos anos de existência do museu e as galerias de arte parecem ser só uma atração secundária e até desinteressante para a maioria dos visitantes! 

    Também foi interessante notar o papel dos próprios moradores de Brumadinho, uma cidade tão pobre, que trabalham no grande Inhotim. Os mineiros interessados em política sabem que o Inhotim recebe dinheiro público e como contra-partida social seus administradores alegam que o projeto traz riqueza e educação artística para a região. Riqueza até entendo, pois os funcionários encarregados de nos dizer que não podemos tocar nas obras, nem fotografá-las e mal mal respirar em cima delas são de fato todos de Brumadinho. Mas nenhum deles tem a mínina qualificação e nem parecem interessados nisso. A função de “guia” fica reservada aos estudantes de artes plásticas de Belo Horizonte, que viajam diariamente ao museu para trabalhar. 

    Essa discrepância do papel dos moradores como funcionários do Inhotim ficou ainda mais clara para mim quando entrei em uma pequena galeria toda branca onde a obra era exatamente a própria arquitetura da casa e uma funcionária entrou comigo, claramente para me figiar para que eu não fotografasse. Mas o pior mesmo foi ela entrar conversando trivialidades pelo rádio com uma amiga que também trabalhava lá e ainda largar sua mochila e uma sacola da Natura em cima de um banco. Ou seja, ela não entendia que o próprio silêncio era necessário para a obra e que o banco fazia parte da obra! 

    Ainda é interessante pensar no papel do dono do local. Sim, apesar de ter subsídio fiscal o Inhotim é um patrimônio particular de um rico empresário de BH conhecido por sua sociedade com Marcos Valério e por seu envolvimento no esquema do Mensalão. Fofocas políticas à parte, não dá pra ignorar que palmeiras imperiais morrem e que artísticas plásticos são subornáveis. Não seria, então, um jardim botânico e um museu com obras de artistas vivos um esquema de lavagem de dinheiro perfeito? Impossível não levantar essa suspeita ao visitar o Inhotim, ainda mais sabendo que o tal empresário mora lá na fazenda do museu.

    Pelo menos lavar dinheiro com arte e um belo jardim que podemos visitar e não de tantas outras formas bizarras? É, um pensamento comum e compreensível. E de se concordar quando conhecemos a Galeria de Cildo Meireles com sua instalação Desvio para o Vermelho, ou ainda quando ouvimos a maravilhosa sinfonia de Forty Pat Motet, da instalação da artista Janet Cardiff.

    A instalação de Cardiff é formada por uma série de caixas de som que ficam da altura de nossos ouvidos e tocam uma composição medieval. A maravilha da obra está em um elemento simples: ao gravar um coral cantando a composição, a autora gravou cada voz separadamente. Da mesma forma a música é reproduzida, cada caixa de som toca a voz de um cantor específico. O visitante, então, caminha entre as vozes agudas e graves e de repente se surpreende com uma linda voz infantil! Bem, muito polêmico dizer isso, mas essa obra talvez valha o desvio de dinheiro (se é que existe)!


  • Text

    Artur Renzo (10/09)

    Vik Muniz – Verso

    “A exposição reúne sete objetos tridimensionais de diversos tamanhos feitos de madeira e mídias variadas, que reproduzem fielmente o verso de obras célebres como Les Mademoiselles d’Avignon de Picasso e La Grande Jatte de Seurat que durante o período de seis anos o artista fotografou e estudou em parceria com a equipe curatorial e de conservação de instituições como o MOMA, Guggenheim e o Art Institute of Chicago e um time especializado de artesãos, artistas e especialistas em cópias de pinturas.”

    Esses objetos foram criados por especialistas em cópia, restauração e conservação, e, de fato, são idênticos ao verso de tais obras. Cada especialista foi responsavel pela execução de um detalhe específico:molduras, arranhões, manchas, etiquetas e etc., tudo produzido à perfeição. Eles constituem toda a história expositiva dessas obras-primas, além de revelarem um elemento processual no mundo dos museus. Para Fabio Cypriano, com isso, o artista revela o caráter fetichista da arte: “de tão conhecidas, as obras nem precisam de exibição.”

    Fabio Cypriano:

    Quanto a isso, não sei se é a melhor forma de abordar o assunto. Mas a minha sensação é de que, faz pouco sentido vir a essa exposição sem conhecer esses detalhes contextuais-conceptuais das obras. Mas mais do que isto tenho a impressão de que uma vez apreendido este “conceito” (e isto, neste caso pode ser feito sem contato algum com as obras) , as obras em si tem muito pouco a oferecer ao espectador. Talvez só a curiosidade de saber como o verso de “O Abapuru”, ou do “L’atelier Rouge” se parece. E talvez seja mesmo essa a intenção. Algo como tornar inútil o espaço de exibição, não sei. Mas fica claro que o efeito produzido é quase nulo. “Quase”, porque conto com a excessão de pessoas como Fabio Cypriano. Acho que tudo fica mais claro se o compararmos com Orson Welles em “F for Fake” que aborda o mesmo tema de uma forma bem diferente, o que acaba fazendo toda a diferença. É como Borges fala em “O Aleph”:

    “Compreendi que o trabalho do poeta não estava na poesia; estava na invencao de razoes para que a poesia fosse admirável; naturalmente, esse trabalho ulterior modificava a obra para ele, não para os demais. A dicção oral de Daneri era extravagante; sua inabilidade métrica o impediu, salvo poucas vezes, de transmitir essa extravagancia ao poema.”

    A exposição fica abert só até amanhã (11/9)

    Galeria Fortes Vilaça

    Rua Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena - São Paulo

    (11)3032-7066

    http://www.fortesvilaca.com.br/

    http://www.vikmuniz.net

  • Text Miguel Rio Branco: Maldicidade - Marco Zero

    Curadoria de Miguel Rio Branco

    MIS – Museu da Imagem e do Som

    Av.Europa, 158  -  Jd. Europa

    (11) 2117 - 4777

    De 01.09 a 31.10

    Terça a sábado, das 12h às 19h

    Domingos e feriados, das 11h às 18h

    www.mis-sp.org.br

    Miguel Rio Branco é um artista espanhol com pai brasileiro. Além de fotografar, ele pinta, é diretor de cinema e trabalha com algumas experiências com multimídia. A partir deste currículo percebe-se a variação de tipos em sua exposição.

    A exposição traz mais de 40 fotografias, 3 vídeos e a “instalação Ofélia” que mistura objetos do ferro velho, neon e fotografia. As fotos foram tiradas entre 1970 e 2010 em Tóquio, Nova York, Bahia, Lima e Cuba.

    O intuito de Maldicidade é abordar a vida dos moradores das grandes metrópoles. Seu foco são mendigos, prostitutas, vira-latas e pessoas de baixa classe social. Através de fotos com cores vibrantes, e com montagens e recortes paralelos, a obra de Miguel cria uma harmonia entre a situação (depressiva) e a cor (alegria) que representa os maus da cidade (maldicidade) que ninguém repara no cotidiano. Como cita no panfleto, o lado “trash” da cidade.

    Os 3 vídeos (Túnel, Caveirinhas e Peep Show) ilustram ainda mais cenas comuns em qualquer metrópole mundial como dança de strip, uma passagem por um longo túnel e pessoas conversando.

    A exposição comemora os 40 anos do MIS  e participa das atividades do São Paulo Polo de Arte Contemporânea da 29ª Bienal de São Paulo com tema principal: arte e política.

    Instalação Ofélia

    cores fortes e uma montagem que criam uma profundidade a foto.

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    Recortes e montagens construindo cenário urbano

    chicletes no asfalto

    Celacircus

    feirantes e vira-latas

    vídeo Túnel

    TRICIA HEY GOMES - RTV

    40921176