Filhos de Alguém. |
um lugar para o amor. |
Eu agradeço a minha família pelo apoio, deus pelo livre arbitrio, e a grande professora edilamar galvão pela iluminção espiritual e sustentação intelectual.
Otávio Suriani, São Paulo, SP, Brasil, América do Sul, Planeta Terra. 25/08/2010
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Keith Haring – Selected Works. Caixa Cultural São Paulo ( av. Paulista, 2073, São Paulo, SP)
Tel: 11 3322-4400
Até 5/9; de terça a sábado, das 9 às 21. Domingo, das 10 às 21.
Grátis.
Links : www. caixacultural.com.br
A Caixa Culrural, para aqueles que não conhecem, é um pequeno espaço de exposições dentro do conjunto nacional. Perfeito para o usufruto da arte durante o horário de almoço, já que no mundo moderno ela não tem tanto espaço mesmo. Dois andares, espaço bonito e grátis. Lá está a exposição Keith Haring – Selected Works , e por lá ficará até 5/9. São 94 obras nunca antes vistas no Brasil. Podemos ver sua série Appocalypse, feita em parceria com William Burroughs, a série Blue prints, e até polaróides de viagens suas à Ilhéus. Haring é um artista pop americano que começou a ganhar destaque após passar vários dias no metrô de NY desenhando com giz em cartazes publicitários seus famosos homenzinhos. Se no começo de sua experiência era repreendido pela polícia, ao final dela distribuía autógrafos. Foi amigo de Warhol, Iggy Pop, Madonna e outros ícones da cultura pop. Sua obra é composta basicamente de homenzinhos saltitantes, ora coloridos, ora com o pinto na mão, mas não passam de homenzinhos saltitantes.
Considerar as obras de Keith Haring arte, é a mesma coisa que chamar de música jingles publicitários, e propagandas televisivas de cinema. Elas se parecem mais com os quadrinhos da Mônica ou desenhos diletantes de sala de aula. Uma obra definitivamente pobre, similar a um Romero Britto ou Vik Muniz qualquer. Ao olhar suas gravuras, tem-se a sensação de olhar para estampas de camisetas (aliás, ele até criou uma loja com elas, a pop shop); se na década de 80 ele era pop, hoje ele é banal. O efeito estético provocado por suas obras é o mesmo de toda pop arte americana: “ah, talvez isso fique bom no meu banheiro”, ou seja, algo de valor simbólico nulo e que é feito para ser olhado de relance, num momento fugaz, pois olhar muito tempo essas obras e achar que lá existe algo de “transcendental ou sublime” é uma babaquice. Vá lá, suas obras até tem uma narrativa simbólica, mas colocá-las em uma parede de museu é quase um insulto para qualquer artista que pretenda criar algo de valor estético ou intelectual. Se as formas artísticas representam o momento histórico em que foram produzidas, nas obras de Haring vemos um mundo coloridinho, cheio de movimento, uma imagem bem pueril que ficaria boa em livros infantis, mas encará-las como arte, é infantilizar a arte e seus apreciadores, corroborando para criar obras cada vez mais alienantes, estética e simbolicamente pobres.
Afinal, se o imperativo estético da arte contemporânea é esse, ela está definitivamente afastada de sua finalidade de criar planos simbólicos ricos em significados que possibilitem ao homem identificar-se com seus fantasmas ou questões profundas, e, através de uma experiência estética, tomar contanto com um plano que não seja o da realidade imediata, possibilitando um entendimento mais profundo sobre si próprio ou sobre o mundo que o rodeia, que outrora foi seu papel.


