Filhos de Alguém. |
um lugar para o amor. |

Artur Renzo (10/09)
Vik Muniz – Verso
“A exposição reúne sete objetos tridimensionais de diversos tamanhos feitos de madeira e mídias variadas, que reproduzem fielmente o verso de obras célebres como Les Mademoiselles d’Avignon de Picasso e La Grande Jatte de Seurat que durante o período de seis anos o artista fotografou e estudou em parceria com a equipe curatorial e de conservação de instituições como o MOMA, Guggenheim e o Art Institute of Chicago e um time especializado de artesãos, artistas e especialistas em cópias de pinturas.”
Esses objetos foram criados por especialistas em cópia, restauração e conservação, e, de fato, são idênticos ao verso de tais obras. Cada especialista foi responsavel pela execução de um detalhe específico:molduras, arranhões, manchas, etiquetas e etc., tudo produzido à perfeição. Eles constituem toda a história expositiva dessas obras-primas, além de revelarem um elemento processual no mundo dos museus. Para Fabio Cypriano, com isso, o artista revela o caráter fetichista da arte: “de tão conhecidas, as obras nem precisam de exibição.”
Fabio Cypriano:
Quanto a isso, não sei se é a melhor forma de abordar o assunto. Mas a minha sensação é de que, faz pouco sentido vir a essa exposição sem conhecer esses detalhes contextuais-conceptuais das obras. Mas mais do que isto tenho a impressão de que uma vez apreendido este “conceito” (e isto, neste caso pode ser feito sem contato algum com as obras) , as obras em si tem muito pouco a oferecer ao espectador. Talvez só a curiosidade de saber como o verso de “O Abapuru”, ou do “L’atelier Rouge” se parece. E talvez seja mesmo essa a intenção. Algo como tornar inútil o espaço de exibição, não sei. Mas fica claro que o efeito produzido é quase nulo. “Quase”, porque conto com a excessão de pessoas como Fabio Cypriano. Acho que tudo fica mais claro se o compararmos com Orson Welles em “F for Fake” que aborda o mesmo tema de uma forma bem diferente, o que acaba fazendo toda a diferença. É como Borges fala em “O Aleph”:
“Compreendi que o trabalho do poeta não estava na poesia; estava na invencao de razoes para que a poesia fosse admirável; naturalmente, esse trabalho ulterior modificava a obra para ele, não para os demais. A dicção oral de Daneri era extravagante; sua inabilidade métrica o impediu, salvo poucas vezes, de transmitir essa extravagancia ao poema.”




A exposição fica abert só até amanhã (11/9)
Galeria Fortes Vilaça
Rua Fradique Coutinho, 1500 - Vila Madalena - São Paulo
(11)3032-7066